
O que acontece quando a cidade descarta aquilo que um dia fez sua infraestrutura funcionar? Para Érico Gondim, a resposta está na ressignificação. Convidado pela Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará – Cagece, o designer mergulhou no depósito de resíduos da companhia (foto abaixo) e encontrou ali um universo inesperado: tubos gigantes, conexões e outras peças robustas que já tinham servido ao saneamento e que, teoricamente, haviam chegado ao fim da linha.




Foi assim que nasceu o Regeneralab, um projeto de upcycling que apostou na reinvenção desses materiais “esquecidos”. Ao longo de dois meses, Érico e dois assistentes desenvolveram mais de 30 propostas (cerca de 20 foram executadas) que vão de bancos e estantes a poltronas e mobiliário urbano. Tudo feito a partir de processos de serralheria, marcenaria e termomoldagem – além de muita criatividade e rigor para que cada elemento deixasse de parecer “resíduo” e assumisse uma nova linguagem.

“Trabalhar com resíduo não é um processo fácil, porque a gente tem que transformar e fazer com que ele perca a aparência de resíduo, para que as pessoas não percebam sua origem e ele seja, de fato, um upcycling. Esse era, para mim, o grande desafio”, contou Érico.







Os materiais passaram por desinfecção, ganharam novas camadas de cor, textura e, às vezes, até estofamento. O resultado são peças resistentes, contemporâneas e surpreendentes, expostas recentemente na CASACOR Ceará, na praça Caminho das Águas, do paisagista Bruno Ary.
São produtos que não denunciam sua origem, mas carregam uma história silenciosa sobre infraestrutura e transformação, mostrando que aquilo que foi abandonado ainda pode render futuros inesperados – basta mudar o olhar para o que nos acostumamos a enxergar como “lixo”.

