Múltiplos encontros: o balanço Kaupüna

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A alegria das coisas simples… hoje de manhã fiz algo básico, mas que desde o início da pandemia não fazia: caminhei na rua (!), pra me exercitar mesmo, já que academia por enquanto passa longe dos meus planos. Já estava feliz com essa “pequena vitória” e a dose de endorfina garantida, quando passei pela Praça Adolpho Bloch e lembrei de uma mostra de arte da qual a Maria Fernanda Paes de Barros tinha me falado — lógico que fui conferir.

Com curadoria de Marc Pottier, a exposição Orgânico tem a participação de muitos artistas e várias obras interessantes, mas fiquei especialmente tocada pelo balanço Kaupüna, que mostro nesse post. Tudo chamava atenção, a começar pela majestosa árvore cuja copa filtrava a luz do sol numa espécie de rendilhado sobre o chão.

E, claro, o balanço, criação conjunta de Kuyawalu “Priscila” Aweti, Kulikyrda “Stive”Mehinako e Maria Fernanda. Fruto de vários encontros, ele materializa a beleza e o enorme potencial das criações colaborativas, de que tanto gosto de falar aqui.

O Balanço Kaupüna representa o encontro não apenas entre o desenho de uma designer e artista paulistana e a arte tradicional indígena, mas também o registro de uma união inédita — a do trabalho das mulheres e dos homens da etnia Mehinako (elas colhem, limpam e preparam a palha de buriti para fazer o fio com que tecem suas redes; eles, por sua vez, percorrem a floresta para encontrar as madeiras que são transformadas em bancos zoomorfos pintados com grafismos à base de carvão, urucum e raiz de ingá).

Feliz por essa experiência (um viva à arte democrática, inserida no cotidiano das pessoas), chego em casa e descubro que hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas (instituído pela ONU em 1994). É sincronicidade que chama, né? Pois bem, interpreto como um convite para pensarmos não só na riqueza da criação colaborativa, mas também na beleza das trocas culturais e no respeito/reverência que devemos aos povos indígenas e sua cultura ancestral.

A exposição Orgânico integra o projeto Circular – Arte na Praça e acontece até dezembro na Praça Adolpho Bloch, no Jardim América, em São Paulo. Vale super a visita!

(Fotos: Winnie Bastian)

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