Irmãos Campana: livro e exposição celebram os 35 anos de carreira da dupla

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No dia 14 de março, o MAM Rio inaugurava a exposição “Irmãos Campana: 35 Revoluções”, com curadoria de Francesca Alfano Miglietti, a maior já dedicada ao trabalho da dupla e pensada para celebrar os 35 anos de carreira dos irmãos. Ocupando os 1,8 mil metros quadrados do segundo andar do icônico edifício projetado por Affonso Eduardo Reidy, mais de cem peças são exibidas em instalações imersivas – e provocativas, como todo o trabalho dos irmãos.

Belíssima e muito bem cuidada, a mostra foi interrompida ainda em março em virtude da pandemia de Covid-19 – o museu foi fechado e voltou a abrir somente em setembro –, impedindo que muitos admiradores da obra dos Campana a visitassem (para quem tiver oportunidade, fica a dica: a visitação segue até 10/1/2021).

O livro: tour visual + ensaios + entrevistas

Pois agora o Estudio Campana e o Instituto Campana lançam o livro “Irmãos Campana: 35 Revoluções”, que faz um registro à altura da mostra, em capítulos que espelham os núcleos temáticos propostos pela curadora na exposição: Amor, Pensamento, Sonhos, Tempo, Metamorfose e Segredos. O tour visual é acompanhado de textos escritos por profissionais como Cristina Morozzi (jornalista, crítica e curadora de design), Maria Cristina Didero (autora e curadora de design), Mateo Kries (diretor do Vitra Design Museum) e Stefano Boeri (presidente da Trienal de Milão), entre outros.

Com 248 páginas e formato coffee-table book, a publicação mostra projetos inéditos e uma ampla seleção de peças de design e esculturas desenvolvidas ao longo dos últimos anos, além de vistas exclusivas da exposição e respectivas instalações – são várias, mas vou destacar aqui minhas três preferidas.

As instalações: uma imersão no “universo Campana”

A primeira é um grande muro erguido logo na entrada da mostra, construído com cerca de dois mil cobogós de terracota feitos à mão, criados como um alerta sobre o desastre ambiental acontecido em 2015 na cidade de Mariana (MG) devido ao rompimento de uma barragem – 200 casas foram destruídas pela lama tóxica que tornou a terra infértil, poluiu rios e matou animais.  

Também há um bosque de colunas de piaçava – uma evolução da instalação que os irmãos criaram na Casa de Vidro de Lina Bo Bardi em 2019 – entre as quais os objetos se escondem e se revelam ao longo do percurso expositivo, com grande efeito cênico. Por fim, destaco aqui o enorme painel Pele, uma estrutura de contornos orgânicos formada por chapas de madeira, argila expandida e tela de galinheiro.

Entre as obras, não podiam faltar clássicos como a cadeira Vermelha e a poltrona Favela, e também peças de colecionadores (como as séries Barroco Brasileiro, Cangaço e Sushi) e outras criadas para empresas como Louis Vuitton, Edra e Venini.

O livro está disponível para pré-venda no site do Instituto Campana:  www.institutocampana.org.br.

(Fotos: reprodução)

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