Morre Enzo Mari, mestre do design italiano

Foto Alecchi/MP/Leemage / Wikimedia Commons

O dia começa com uma triste notícia: a morte de Enzo Mari, um dos mais importantes, inovadores e irreverentes designers do século 20. Ele morreu hoje, em Milão, no hospital San Raffaele, onde estava internado com Covid-19 .

Autor de mais de 1500 produtos e detentor de cinco Compasso d’Oro (o último recebido em 2011, pela carreira), Mari foi um dos “maestri” que contribuiu para o surgimento do Made In Italy, por um lado, enquanto, por outro, usou seu design como ferramenta de contestação.

Em 1974, publicou a primeira edição de “Autoprogettazione”, um manual que incluía uma série de projetos de móveis que podiam ser executados por qualquer pessoa usando tábuas de madeira (de tamanhos comerciais padrão) e ferramentas simples (basicamente um martelo e alguns pregos). A ideia era que, ao construir com as próprias mãos, elas entendessem melhor como funcionam os produtos industriais e desenvolvessem um olhar crítico sobre eles.

No alto, a primeira foto mostra Mari na época do lançamento de Autoprogettazione. Nas abaixo, em 2010, ele mostra como se constrói uma cadeira da série, então lançada pela finlandesa Artek. Lógico que a peça não era vendida pronta: os compradores recebiam as pranchas de pinus, juntamente com as instruções e os pregos.

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Neste sábado, 17 de outubro, a Triennale di Milano inaugurou a mostra “Enzo Mari curated by Hans Ulrich Obrist with Francesca Giacomelli”, que documenta os mais de 60 anos de carreira deste que foi um dos grandes nomes do design italiano, na teoria e na prática.

A mostra ficará em cartaz até 18 de abril de 2021 e é uma excelente oportunidade para ver o trabalho do mestre em perspectiva e também muitos documentos e itens de seu acervo pessoal – o qual foi doado por Mari em vida à Cidade de Milão com a condição de não ser exibido publicamente por 40 anos após sua morte. “Mari acreditava que só então as pessoas estariam prontas para entender totalmente seu trabalho e seus objetivos”, afirmou a crítica inglesa Alice Rawsthorne no seu Instagram. Também segundo ela, Stefano Boeri (arquiteto e presidente da Triennale) e Hans Ulrich Obrist agora estão empenhados em conseguir que seu estúdio seja preservado, assim como o de Achille Castiglioni e outros grandes designers do século 20. Na torcida!

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