Jorge Zalszupin: um mestre do design moderno brasileiro

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Hoje ele completa 98 anos de vida! Um dos grandes mestres do design moderno brasileiro, Jorge Zalszupin nasceu na Polônia em 1922, mas foi aqui que construiu sua carreira como arquiteto e designer. Ao desembarcar no país, em 1949, trazia consigo “uma moto com placa de Paris, o diploma de arquitetura, a passagem de volta e uma edição especial da revista francesa L’Architecture d’Aujourd’hui, aclamando a arquitetura brasileira”, conta em seu site.

O design veio como decorrência da necessidade de mobiliar as casas que projetava. Visionário que era, decidiu sistematizar este processo projetual e criar uma empresa para fabricar as suas criações: a L’Atelier, fundada em 1959, inicialmente unia as expertises do designer e do artesão e, em um segundo momento, se industrializa e passa a produzir em série. A empresa foi “um momento de inflexão, que favoreceu a implantação e a consolidação do design moderno” no Brasil, conta a pesquisadora Maria Cecilia Loschiavo no livro Jorge Zalszupin, publicado em 2014 pela Editora Olhares. Com a L’Atelier, “Jorge Zalszupin criou um mercado de varejo para o design, expandindo gradativamente o alcance do caráter modernista da mobília”, completa Cecilia, ressaltando que a importância de Zalszupin para o cenário nacional vai além de seu inquestionável talento como designer.

Como forma de homenagear o mestre, selecionei minhas 10 peças favoritas entre todas suas criações – felizmente, nove delas são hoje reeditadas pela Etel (a exceção é a mesa de centro 408). Vamos a elas:

Mesa de centro Pétalas (1959-1965 / 2006)

Uma das peças mais famosas de Zalszupin, seu desenho foi inspirado nas dobraduras do origami e sua curvatura explora os limites da madeira (no caso, o pau-ferro)

Acima, mesa de centro Pétalas e poltronas Brasiliana (também de Zalszupin) em projeto de Isis Chaulon
Carrinho de chá JZ (1959 / 2006)

Escultórico em sua leveza, este móvel foi inspirado nos carrinhos de bebê poloneses. O uso da madeira curvada (na superfície inferior e na bandeja esculpida) e o rodízio também em madeira, em contraste às grandes rodas de latão, tornam esta peça inconfundível.

Mesa de jantar Guarujá (1959)

A base de cimento revestida em couro dialoga lindamente com o tampo em madeira taqueada – um recurso bastante frequente no mobiliário de Zalszupin, resultado de um processo de racionalização das sobras de madeira no processo produtivo da L’Atelier

Acima, mesa de jantar Guarujá e cadeiras Jerzy (também de Zalszupin) em projeto de Dado Castello Branco
Poltrona Annette (1960)

Tiras de couro se entrelaçam na levíssima estrutura de ferro, proporcionando o suporte para o assento e o encosto. O apoio para os braços atende ao conforto, mas também mostra o cuidado do designer com a estética

Acima, a poltrona Anette (foto: Ruy Teixeira)
Mesa de centro 504 (1959-1965)

Um material quente (a madeira) e um frio (o mármore), unidos por encaixes precisos entre as duas superfícies.

Foto: Fernando Martinho (reprodução)
Foto: Fernando Martinho (reprodução)
Poltrona Adriana (1962/2012)

Delicada e graciosa, é uma peça que demorou a ser executada. Depois de quase 50 anos escondido na garagem de Zalszupin, o protótipo foi encontrado em 2011 por sua filha Verônica, que buscava objetos para compor uma mostra dedicada ao pai.

Acima, poltronas Adriana em projeto de Diego Revollo (foto: Alain Brugier)
Banco 102 (1959-1969/2012)

Sua estrutura rígida e elegante contrasta com a curvatura suave que recebe as almofadas soltas.

Acima, banco 102 em projeto da Drops Arquitetura (foto: Julia Ribeiro)
Poltrona Triangular (1959/2015)

Nesta peça, Zalszupin mostra nítida influência de Lina Bo Bardi, cujas criações eram baseadas na cultura popular brasileira. As bolas e a o assento flutuante como o de uma rede fazem alusão direta ao design da arquiteta ítalo-brasileira.

Penteadeira Componível (1959/2014)

Uma das peças que integra uma vasta linha de modulados componíveis, uma solução que levava mais versatilidade à produção industrial, permitindo a criação de diferentes tipologias. O espelho redondo e o banquinho (criado especialmente para esta penteadeira) dão o charme extra.

Sofá 801 (1959-1965 / 2012)

Leveza e sutileza são o ponto forte deste sofá – repare proporção longilínea e na delicadeza da estrutura aparente em madeira que se liga aos pés, no mesmo material.

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