Tapio Wirkkala: 100 anos de um ícone

Tapio Wirkkala segura um copo da linha Ultima Thule

“Minha arte […] cresceu a partir das experiências que são comuns para as pessoas que vivem no norte. O mesmo processo de evolução contínua de fenômenos que podem ser vistos na natureza e nos homens. O processo se repete: inverno, primavera, verão, outono – e ainda assim, é sempre novo e surpreendente.” As palavras de Tapio Wirkkala (1915-1985) publicadas pela revista Domus em 1981 dão a ideia da importância que a natureza tem no trabalho deste mestre do design finlandês, que, este ano, completaria seu centésimo aniversário.

Um pássaro inspirou as linhas da mesa Bird, reeditada este ano pela Poltrona Frau

Embora vivesse em Helsinki, era no interior da Finlândia – especialmente na Lapônia, onde passava alguns meses por ano – que Wirkkala buscava inspiração para suas criações. Um exemplo é a linha Ultima Thule, cujas formas remetem ao gelo derretendo nos primeiros dias da primavera. Super poético!

Cordial Set, kit com quatro copos diversos reeditados pela Iittala como por ocasião do centenário de Wirkkala. A partir da esq.: Kaleva (1980), Tapio (1954), Niva (1972) e Ultima Thule (1968)
Prato da linha Ultima Thule (1968), da Iittala
Decanter e copos da linha Ultima Thule (1968), da Iittala

Se a inspiração vinha sempre do mesmo lugar, o mestre surpreendia com uma obra não apenas rica em formas e texturas, mas extremamente versátil, envolvendo desde vasos e tableware (copos, louças e talheres) a mobiliário, jóias, garrafas de bebida e até cédulas de dinheiro – as notas desenhadas por ele para o governo da Finlândia ficaram em circulação de 1955 a 1981. Ao mesmo tempo que tirava partido de sua formação de escultor criando peças únicas com as próprias mãos, Wirkkala também tinha facilidade de trabalhar junto à indústria, e dava “alma” aos objetos industrializados. São famosas suas parcerias com marcas como a finlandesa Iittala, a italiana Venini e a alemã Rosenthal.

Criados em 1977, os vasos Paper Bag, da Rosenthal, imitam a textura de um saco de papel – originalmente produzidos em marrom e branco, ganham versões coloridas para a comemoração do centenário
Sutileza de formas e texturas no serviço de mesa Century, também para a Rosenthal
Em 1966, Wirkkala tinha desenvolvido outra linha para a Rosenthal que se destacava pelo contraste marcante entre a superfície lisa e brilhante da base e o canelado fosco da parte superior
O desenho dos vasos Pollo, de 1970, ainda para a Rosenthal, remete ao corpo de uma ave

Conhecido por muitos como “poeta do vidro”, Wirkkala teve neste material seu maior meio de expressão. Foi graças a ele, aliás, que seu trabalho ganhou repercussão mundial, após vencer um concurso organizado pela indústria vidreira Iittala em 1946. Foi o início de uma colaboração de quase 40 anos, e ao longo deste período o designer criou cerca de 400 peças! Mas Wirkkala não se limitava ao vidro – ao contrário, pesquisava matérias-primas diversas, com a seguinte filosofia: “Todos os materiais têm suas leis não-escritas. Não se deve ser violento, mas sim estar em harmonia com o material escolhido”.
E foi assim, sendo fiel a suas crenças e enaltecendo a natureza de seu país, que Tapio Wirkkala se tornou um dos nomes mais icônicos do design finlandês e figura chave no modernismo escandinavo.

Cores e geometrias combinadas nos vasos Bolle (1966-1967), produzidos pela Venini
Linhas atemporais nos vasos da série Ovalis (1958), também produzidos pela Iittala. Esta versão, em vidro crinza degradê, foi lançada especialmente em comemoração ao centenário
Cúpula de vidro K2-140 para a luminária TW003 (1960), reeditada agora pela Artek em comemoração ao centenário
Criadas em 1959, as garrafas de vidro soprado colorido agora voltam a ser produzidas pela Iittala e estarão disponíveis somente até o final deste ano
Uma das peças mais icônicas criadas por Wirkkala, o vaso Kantarelli (1946) tem sua forma inspirada em um tipo de cogumelo

Para saber mais, vale acessar o site que a Tapio Wirkkala Rut Bryk Foundation – que cuida do legado do designer e de sua mulher, a designer gráfica Rut Bryk – criou para comemorar o centenário. 

 

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