Spoilers do design na SP-Arte 2026

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A SP-Arte se aproxima, e a expectativa em torno da nova edição já começa a se desenhar. Antes mesmo da abertura, alguns indícios do que será apresentado no Setor Design antecipam uma mostra que promete ser especialmente interessante.

Um dos aspectos mais consistentes da feira, ao longo dos anos, é a capacidade de articular diferentes temporalidades do design. Em um mesmo espaço, convivem peças modernas — sejam elas vintage ou reeditadas — e produções contemporâneas, revelando uma diversidade de linguagens, repertórios e abordagens. Essa convivência não apenas amplia o olhar do visitante, como também reforça a ideia de continuidade e transformação no campo do design.

Entre os dias 8 e 12 de abril, o público poderá acompanhar de perto essa combinação no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, onde o Setor Design ganha forma mais uma vez. Há, nesta edição, um componente adicional que merece atenção: a celebração dos 10 anos desse núcleo dentro da feira, marco que evidencia sua consolidação e relevância no cenário nacional.

Se os sinais iniciais servirem como parâmetro, há bons motivos para esperar uma edição particularmente significativa. A seguir, os spoilers que selecionei pra compartilhar aqui.

Na Galeria Teo, o mote será o diálogo entre o mobiliário vintage e a cerâmica contemporânea de Célia Cymbalista. Aqui, poltrona com banqueta e mesa em caviúna, todos dos anos 1960, e bowl de Célia Cymbalista.

Bela forma de celebrar 35 anos: a Herança Cultural, galeria de design moderno e contemporâneo de Pablo Casas, lançará a luminária Lunar. A peça é assinada pelo artista Artur Lescher em parceria com o lighting designer Maneco Quinderé.

Em sua segunda participação na feira, a Designers Group Gallery mostrará o trabalho de 14 artistas e designers cujas práticas tensionam arquitetura, arte e design colecionável. Entre os criativos, a jovem Marina Moreira levará a cadeira Clave. A estrutura em latão e alumínio fundidos se desenvolve a partir de duas formas de desenho idêntico, em diferentes escalas.

Uma collab e tanto: Domingos Tótora e Gabriel De La Cruz apresentarão a coleção Sobrepor. Ela une a massa de papelão, expertise de Domingos, à experiência de Gabriel com mobiliário.

Pedro Luna faz sua estreia na SP-Arte com a série Trama, que tem como ponto de partida a tecelagem artesanal de tapetes em palha de taboa, difundida em diferentes regiões do Brasil. Aqui, o designer desloca a trama vegetal, preservando sua escala e proporções, para o metal – ora alumínio, ora latão. “O que antes era flexível torna-se rígido; o que era leve ganha peso; o que era superfície utilitária transforma-se em plano estrutural”, afirma.

Além de apresentar um recorte curatorial de seu portfólio, a Lumini lançará a luminária PMR, assinada por Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) e reeditada em colaboração com Metro Arquitetos. A peça, uma chapa metálica dobrada que integra a fonte de luz ao próprio plano, revela a iluminação a partir de um gesto estrutural mínimo.

A poltrona Chareau, projetada por Arthur Casas nos anos 1980, está entre as peças que a Apartamento 61 levará para a feira. Com estrutura em jacarandá maciço e rádica de imbuia, a peça dialoga com o mobiliário do francês Pierre Chareau (1883-1950), numa leitura brasileira do Art Déco.

A galeria Passado Composto Século XX apresentará a mostra “Genaro, 100 anos – Bordando a Bahia”, inaugurando as homenagens ao centenário de nascimento do artista moderno baiano. Pintor, desenhista e pioneiro da tapeçaria no Brasil, Genaro foi figura central na renovação das artes visuais na Bahia em um momento em que a cidade ainda se encontrava sob forte influência do ensino acadêmico. Com curadoria de Denise Mattar e colaboração de Graça Bueno, foram escolhidas oito obras, entre desenhos e pinturas, e seis tapeçarias que evidenciam a inspiração do mestre em sua terra natal. Acima, tapeçaria de 1965.

A Mobilia Tempo, de Ricardo Van Steen, levará novos frutos da parceria com a fabricante Folio, entre poltronas e mesas lateral e de jantar. Destaque para a poltrona de balanço Siesta, com estofamento em tapete de fios de garrafa PET, estrutura em aço carbono e, nos pés, detalhe em madeira maciça.

A Bonni levará a coleção Monumental, na qual Erik Bonissato investiga a relação entre mobiliário e arquitetura. Entre sofá, luminárias, mesas e assentos, as peças foram concebidas para “assumir protagonismo na experiência dos interiores, explorando volumes, matéria e presença escultórica”, conta o designer. Uma das novidades é o abajur Vinco, cuja cúpula é inspirada na alfaiataria e requer 30 dias de costura artesanal para execução.

J Boggo+, Maqstone & Bref apresentam a coleção Ritos, que nasce do diálogo criativo entre Jay Boggo e Bruno Rodrigues, com a curadoria de Pat Monteiro Leclercq. Produzido em edição limitada, o mobiliário em pedra natural transita entre a funcionalidade e a escultura – é o caso do banco Kuadrá, cuja origem remonta aos bancos de praça da infância dos designers.

Completando 25 anos de existência, a LinBrasil faz sua estreia na feira. Dedicada exclusivamente à edição do mobiliário de Sergio Rodrigues (1927-2014), a marca lançará nove móveis: a mesa extensível Stella (1956), a cômoda Mitzi (1960), o banco Eleh (1965), a cômoda Luciana (1965), o baú Sabará (1965), a mesa auxiliar Yara (1965), a cadeira Bule (1991), abaixo, e uma adaptação da cadeira Paiol (2010), que foi uma das últimas peças criadas pelo designer.

Inspirada pelo impacto que o Marrocos causou em Yves Saint Laurent (1936-2008)nos anos 1960, a galeria Bossa celebrará o momento em que a Europa se rendeu à força do artesanato ancestral. Um exemplo é a mesa Piña Colada, da francesa India Mahdavi, que resgata suas raízes egípcio-iranianas.

Neste ano, a ETEL celebrará a inventividade e a visão de futuro de Percival Lafer, que completará 90 anos durante a SP-Arte. Na ocasião, serão lançadas reedições de peças como a poltrona Mirage / PL-43, projeto de 1967, além de uma peça inédita concebida por Lafer em parceria com a marca, reafirmando a atualidade de seu pensamento criativo. O espaço também apresentará edições limitadas de outros designers, como Claudia Moreira Salles, com peças que dialogam com o sistema construtivo de Lafer e trazem a confluência entre arte e design característica da feira.

Estreando na feira, a Sette7 apresentará lançamentos em mármore, aço inox, madeira e vime que evidenciam um movimento de expansão da marca em sua pesquisa técnica e abordagem construtiva. Destaque para os bancos Bo (à esq.) e Axis (à dir.), feitos com uma fibra natural de cipó da Amazônia e trabalhada manualmente — a única intervenção industrial é a base em inox, que oferece sustentação e valoriza a leveza orgânica da trama.

Fotos: André Klotz, Rafael Felix, Victor Lucena, Gabriella Martins, Mariana Chama, João Paulo Prado, Anna Luna Palatnic, Ruy Teixeira e divulgação.

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