A cadeira Eutopia, de Francisco Gomez Paz, recebe o Compasso d’Oro: “design industrial sem indústria”

Ontem aconteceu a cerimônia de entrega do Compasso d’Oro, o grande prêmio de design da Itália e um dos mais importantes do mundo. Entre os pouquíssimos projetos premiados (apenas 18!) está a cadeira empilhável Eutopia, criada por Francisco Gomez Paz. Além da bela forma, também merece atenção a própria essência da peça: “um produto rigorosamente industrial produzido de forma independente”, nas palavras do designer argentino que divide seu tempo entre Salta, sua cidade natal, e Milão.

“A Eutopia nasceu de uma ideia aventureira. Projetar, desenvolver e produzir uma cadeira de madeira usando tecnologias flexíveis como o corte a laser e CNC no laboratório do meu estúdio em Salta, a 1.400 km de Buenos Aires e 13 mil km de Milão. O maior desafio, a verdadeira inovação da Eutopia é ser um produto rigorosamente industrial, mas produzido de forma independente, distante dos sistemas industriais desenvolvidos”, conta Francisco, acostumado a trabalhar com empresas como Luceplan, Artemide, Danese e Driade.

Foram necessários três anos de desenvolvimento para se chegar a um produto industrial meticuloso – apesar de ser totalmente fabricado na oficina do estúdio de Gomez Paz: “design industrial sem a indústria” ou “artesanato digital”, nas suas palavras.

Uma estrutura sofisticada, composta por várias peças entrelaçadas que resultam numa cadeira muito leve (apenas 1,8 Kg) e ao mesmo tempo bastante robusta (resistiu a testes com cargas de 100 kg e mais de 23 mil ciclos), montada sem a necessidade de um único prego ou parafuso. “Uma espécie de marchetaria tridimensional de madeira maciça multilaminada”, informa o site da galerista italiana Rossana Orlandi, que lançou o produto em seu espaço na Semana de Design de Milão em 2018.

Mas se Francisco tem acesso a grandes indústrias e poderia ter uma cadeira produzida por qualquer uma delas, porque investir três anos neste projeto? “Antes de mais nada, por uma razão pessoal. Queria sair da minha zona de conforto, que é a da produção industrial, para me testar. E depois por uma razão política. Parece falatório, mas quando eu era menino, para ser designer tive que deixar a Argentina, um país que depois chegou à beira do colapso e agora inaugura uma nova fase. Por isso decidi passar metade do meu tempo em Salta e a outra metade em Milão. E mostrar que agora é possível fazer design também na Argentina.”, declarou certa vez em entrevista ao site italiano Design At Large. E disparou: “Se não é inovação, o projeto é decoração. E para inovar é preciso tempo e esforço, antes de tudo.”

(Fotos: divulgação)

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