Cadeira Kanga, de Ricardo van Steen, combina releitura e inventividade

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“Das coisas nascem coisas” é uma das frases mais conhecidas de Bruno Munari (e título de um de seus livros). E não é à toa: tudo o que já existe e conhecemos compõe nosso repertório e esse repertório inevitavelmente se reflete na forma como enxergamos a vida e, no caso de um designer, também ajuda a definir — de forma consciente ou não — aquilo que ele projeta.

Pois a famosa frase de Munari me veio imediatamente à cabeça quando, ao visitar a @mobiliatempo, espaço do designer Ricardo van Steen, enxerguei a cadeira Kanga. Para criar a estrutura dessa peça, Ricardo partiu de um exemplar icônico na história do design: a Tripolina (1877), criada para uso militar e que depois ganhou a simpatia do público em geral por sua praticidade, já que podia ser montada e desmontada (e transportada) com facilidade.

A estrutura da Kanga parte do mesmo sistema da Tripolina, mas com diversas alterações que refinam seu desenho: a seção das “varetas” afina e engrossa ao longo de sua extensão; as articulações são todas internas, dispensando as placas metálicas; também sumiram as travessas metálicas (frontal e traseira) e a própria forma geral sofreu ligeiras modificações.

Mas para mim o mais bacana dessa poltrona é o encosto, feito a partir de uma única folha de couro recortada, dobrada e estruturada com percintas. Me agrada especialmente a versão feita em parceria com um seleiro do interior de São Paulo (esta da primeira foto), cuja superfície trabalhada tem um resultado bastante peculiar e intrigante, sendo rebuscada e rústica ao mesmo tempo.

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