Ruy Ohtake em dois momentos: design e arquitetura

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Ruy Ohtake desenha as linhas da estante Surf (foto: divulgação)

Prestes a completar 60 anos de carreira, Ruy Ohtake recebe dupla homenagem: em São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake e o Museu da Casa Brasileira realizam exposições simultâneas sobre a obra do arquiteto, cuja produção engloba edifícios e projetos urbanísticos, mas também móveis e objetos.

Para Ruy Ohtake: a produção do espaço, mostra no Museu da Casa Brasileira realizada em parceria com o Museu Oscar Niemeyer, o curador Agnaldo Farias selecionou cerca de 40 projetos construídos ou em execução, apresentados ao público por meio de maquetes, desenhos, croquis, vídeos e fotografias. “A mostra ressalta a concepção de Ohtake sobre qual deve ser o papel da arquitetura para o homem contemporâneo, como a sua obra vai assumindo diferentes traduções, conforme a natureza do projeto, o impacto que, pelo imprevisto de sua massa, de suas formas, espaços e cores, pode provocar no trecho da cidade onde se inscreve, entre seus usuários ou simplesmente nas pessoas que passam e se surpreendem”, diz o curador.

O Hotel Renaissance se destaca em meio aos prédios de São Paulo (foto: Nelson Kon)
Edifício Berrini 500, também em São Paulo (foto: Nelson Kon)

Já em Ruy Ohtake: O design da forma , em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, os curadores Fábio Magalhães, Marili Brandão e Priscyla Gomes enfocam a produção de Ruy Ohtake como designer, atuação que teve início em elementos de concreto desenhados para os próprios projetos de arquitetura (mesas, estantes, sofás, aparadores e escadas) e depois se expandiu para a indústria, com a criação de peças em materiais diversos: porcelanato, madeira, aço, vidro, porcelana de alta resistência e prata. “Há muitos anos o arquiteto tem um modus operandi único, com a arquitetura e o design inseridos no mesmo corpo”, avalia Magalhães. Foram selecionadas cerca de 25 peças de mobiliário e objetos – além das obras originais, a mostra inclui fotos, desenhos, vídeos e entrevistas com o arquiteto, famoso por sua ousadia projetual.

A cenografia da exposição, projetada pelo arquiteto Lucas Fabrizzio, celebra duas características marcantes na obra de Ohtake: as curvas e a cor. A maneira como foi concebida, contrastando os móveis e objetos com fundos de cores fortes, valoriza cada uma das peças expostas e dialoga com a fala de Ohtake em uma das entrevistas exibidas em vídeo, quando mencionava seu desejo de “fazer com que a cor também participe da discussão da arquitetura e do design”.

Vista geral da exposição no Instituto Tomie Ohtake (foto: Winnie Bastian)
Mesa Sinfonia (2015), em aço carbono (foto: Winnie Bastian)
Mesas Frevo (2018), em porcelanato com base metálica, criada para a Officina Portobello (foto: Winnie Bastian)
Aparador Filippelli (1996), em aço carbono e cristal; sobre ele, centro de mesa Duas Ondas (2016), em metal com banho de prata, produzido pela Saint James (foto: Winnie Bastian)
Mesa Rana (1996), em aço carbono e cristal; sobre ela, bandeja Alto Mar (2016), de metal com banho de prata, produzida pela Saint James (foto: Winnie Bastian)

A última exposição que fez um panorama da obra de Ohtake foi há mais de dez anos (em 2008, na FAU-USP, para comemorar os 60 anos da faculdade). Mais um motivo para não perder essa oportunidade!  

Estão programadas outras ações complementares às exposições:

Museu da Casa Brasileira:

 – Oficinas de concreto: voltadas tanto ao público especializado, de estudantes e profissionais da área de arquitetura e design (mais informações e inscrições pelo site www.mcb.org.br de 6/3 a 13/3), quanto ao público em geral (que serão divulgadas pelo programa do educativo do MCB ao longo da exposição).

– Lançamento do livro Ruy Ohtake, arquiteto, da Romano Guerra Editora, em data a ser definida durante o período da exposição. Analisa a produção arquitetônica do arquiteto por três recortes conceituais: “morar na praça”, texto de Ruth Verde Zein e fotos de Nelson Kon; “arquitetura da cor”, texto de Luís Antônio Jorge e fotos de Tatewaki Nio; “arquitetura do território”, texto de José Tabacow e fotos de Antonio Saggese.

Instituto Tomie Ohtake:
Laboratório Outras possibilidades da madeira no design: realizado em parceria com a Oficina Lab, é voltado a estudantes universitários de design. Informações e inscrições pelo site www.institutotomieohtake.org.br a partir de 28/2.

– Lançamento do livro O design da forma, da Editora Olhares, 200 páginas. Textos dos curadores Fabio Magalhães e Marili Brandão e ensaio fotográfico de Ruy Teixeira.

Bandeja Alto Mar (2016), em metal com banho de prata, produzida pela Saint James (foto: Winnie Bastian)
Namoradeira (1996), em aço carbono (foto: Winnie Bastian)
Estante Surf (2018) e mesas Frevo (2018), em porcelanato, criadas para a Officina Portobello (foto: Winnie Bastian)
Mesa Origami (1996), em aço carbono (foto: Winnie Bastian)
Em primeiro plano, cubas (2018) em porcelana, criadas para a Roca (foto: Winnie Bastian)
Entrevista com Ruy Ohtake e fotos/desenhos complementam a exposição (foto: Winnie Bastian)


SERVIÇO:
Ruy Ohtake: a produção do espaço
Museu da Casa Brasileira
De 27/2 a 19/5, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00
Av. Faria Lima, 2705, São Paulo
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada) | Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos | Pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada
Gratuito aos finais de semana e feriados
Acessibilidade no local
Bicicletário com 40 vagas | Estacionamento pago no local
Tel.: (11) 3032-3727
 
Ruy Ohtake: o design da forma
Instituto Tomie Ohtake
De 26/2 a 14/4 de terça a domingo, das 11h00 às 20h00
Entrada franca
Rua Coropés, 88, São Paulo
Metrô mais próximo: estação Faria Lima (linha 4 – amarela)
Tel.: (11) 2245-1900

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