Exposição em Lisboa aborda relação entre design brasileiro e português

Crescendo (2018), de Add Fuel, é uma reinterpretação da azulejaria criada especialmente para a mostra

Traçar um mapa dos fluxos entre Portugal e Brasil no campo do design e da cultura material. Eis a ideia da exposição Tanto Mar: fluxos transatlânticos do design, em cartaz no Palácio da Calheta, em Lisboa, por iniciativa do Museu da Moda e do Design – MUDE (cujo prédio atualmente está em reforma). Para fazer esse panorama, trabalhos e autores que vivem “cruzando e unindo o Atlântico” foram selecionados pelas duas curadoras, a brasileira Adélia Borges e a portuguesa Bárbara Coutinho (diretora do MUDE).
São 160 peças que englobam diferentes fases da história, desde o período de colonização do Brasil, mas com foco principal nos séculos 20 e 21. Integram a exposição itens de diversas naturezas, como móveis, roupas, joias, utensílios, objetos decorativos, painéis de azulejos, tecidos e ilustrações, resultando em uma malha de diálogos, afinidades e influências.

Cadeira Estrutural (c.1947), design Joaquim Tenreiro (Foto: © Passado Composto Século XX / divulgação)
Cadeira Três Pés (1947), design Joaquim Tenreiro
Cadeira Estoril (c. 1960), design Joaquim Tenreiro

Neste aspecto, impossível não falar da influência portuguesa no nosso design com o exemplo do português Joaquim Tenreiro, que trouxe do além-mar a expertise no trabalho com a madeira e se tornou o “pai” do móvel moderno brasileiro. Ou caso menos conhecidos – até mesmo surpreendentes –, como a onda na calçada portuguesa, surgida na Praça do Rossio, em Lisboa, e que acabou por se tornar um dos principais símbolos do Rio de Janeiro ao ser usada nas calçadas de Copacabana.

Piso na Praça do Rossio, em Lisboa
As mesmas ondas resurgem no piso pensado por Roberto Burle Marx para as calçadas de Copacabana
Calçada Mar Largo (1998), design Fernando Conduto

Além de todo o repertório escolhido pelas curadoras, quatro peças foram desenvolvidas especialmente para a mostra. O designer gráfico Fernando Lemos, português que vive e trabalha no Brasil há mais de 70 anos, criou o cartaz original de Tanto Mar (a partir do qual foi desenvolvida toda a comunicação gráfica). A brasileira Mana Bernardes fez uma instalação utilizando bordado em colaboração com o grupo português A Avó Veio Trabalhar, iniciativa de Susana António e Ângelo Campota que reúne mulheres com mais de 65 anos. E os também portugueses Manuela Pimentel e Diogo Machado (Add Fuel) criaram reinterpretações contemporâneas da azulejaria.
Na varanda de entrada, um redário usável evoca a instalação criada por Lúcio Costa para o Pavilhão do Brasil na Trienal de Milão de 1964. Ali, os visitantes podem ouvir uma seleção de músicas proposta pelas curadoras. Boa notícia: a exposição segue em cartaz até 15 de julho. Se tiver planos de visitar Lisboa, inclua na sua lista!

Pratos Folhas Velhas (2013), design do brasileiro Eliezer do Nascimento Junior durante programa de residência na fábrica de porcelana da portuguesa Vista Alegre
Prato da coleção Transatlântica, design Brunno Jahara para a Vista Alegre
Xiloteca afetiva (2017), design Ricardo Graham Ferreira (O Ebanista)
Kit Eldorado (2015), design Rodrigo Calixto (Oficina Ethos)
Luminária FM (2016), design Claudia Moreira Salles para Lumini
Matrizes em madeira aplicadas em porcelana, design Heloisa Crocco
Banquinho Mocho (1954), design Sergio Rodrigues
Detalhe de Tanto Mar (2018), de Daniela Pimental, outra das obras criadas especialmente para a mostra

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.