Sérgio J. Matos lança coleção criada no Tocantins

A noção de que o design é uma poderosa ferramenta para valorizar a criação artesanal, felizmente já se difundiu por todo o Brasil. E cada vez vemos surgir novos projetos que usam essa união entre design e artesanato para não apenas criar produtos mais atraentes e, assim, novas oportunidades de negócio, mas também elevar a auto-estima dos artesãos envolvidos no processo. O designer Sérgio J. Matos já se tornou um habitué nessa seara. Tendo participado de iniciativas junto a 16 grupos junto a comunidades do norte, nordeste e centro-oeste do Brasil, o sul-matogrossense radicado na Paraíba acaba de concluir mais uma ação de consultoria, agora no Tocantins, fruto do Projeto de Estruturação Turística de Taquaruçu, desenvolvido pela Prefeitura de Palmas e pelo Sebrae-TO.

Na região de Taquaruçu, destino de Palmas, havia artesãs que trabalhavam com cerâmica, crochê e trançado de palha, mas sem uma identidade local. Pois foi justamente na árvore símbolo do Tocantins, a Fava de Bolota, que Sérgio encontrou a referência central para todo o projeto. O designer conta que, quando chegou à região para fazer o reconhecimento e avaliar quais as potencialidades locais, deparou com várias árvores floridas: “Elas florescem uma vez por ano, e quando cheguei estava tudo florido. É uma árvore bem grande, e a flor é muito exótica, eu nunca tinha visto”.

Um dos materiais eleitos é a palha de buriti, que já era usado pelas artesãs, mas de outra forma. “Elas usavam a palha de buriti e a palha do babaçu, mas sem nenhum tratamento. Optei por usar só a palha do buriti, que tem mais resistência, e tratá-la para ficar ainda mais resistente.” O tratamento é feito de forma simples: ferve-se as peças com sal (e corante, quando for o caso), e esse processo dá mais elasticidade à palha, que se torna menos quebradiça. A palha do buriti também recebe melhor os corantes, que nela impregnam com mais facilidade. “Vamos usar somente tingimento natural nessas peças: urucum, açafrão e outros disponíveis localmente”, conta Sérgio.

Além das artesãs que trançam a palha, o projeto inclui também ceramistas, crocheteiras e até uma bonequeira. Essa diversidade se reflete na coleção resultante, que inclui sousplats, cestos e vasos de vários tipos e tamanhos. Em comum entre eles, o motivo da fava de bolota, trabalhado ora em argila, ora em crochê de palha de buriti.

Os produtos serão lançados oficialmente no dia 6 de setembro, durante o 11o Festival Gastronômico de Taquaruçu, evento que movimenta a região e atrai bom número de turistas. A certeza de êxito, por parte dos organizadores do projeto, é grande – tanto que Sérgio já tem previsão de projetos para mais cinco comunidades no Tocantins. Que venha o sucesso!

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