Pizzaria Olegário, por Isabela Vecci

O forno a lenha é a alma de qualquer pizzaria. Partindo deste princípio, a arquiteta Isabela Vecci, do escritório Vecci Lansky, decidiu usar o barro como elemento central nos projeto que criou para a pizzaria Olegário Vila da Serra, sexta unidade da rede, instalada na cidade de Nova Lima, vizinha a Belo Horizonte.
Trata-se de um projeto de reforma e ampliação do espaço que antes abrigava outro restaurante, no térreo de um hotel da rede Mercure. Com a mudança, a ideia era atrair, além dos hóspedes do hotel, o público da vizinhança, já que se trata de uma região residencial e com bastante vida urbana.
Com esse propósito em mente, Isabela propôs a substituição dos vidros escuros da fachada por outros transparentes, aumentando a permeabilidade visual entre o interior do restaurante e o entorno, chamando mais atenção de quem está na rua. Além disso, a ideia era trazer uma certa sensação de se estar na varanda – “as pessoas em Belo Horizonte gostam muito de varanda, e por isso quisemos oferecer ao cliente essa sensação de se estar dentro e fora ao mesmo tempo”, conta a arquiteta.
Como a ocupação do hotel é feita, em boa parte, por pessoas de fora de Minas Gerais, Isabela fez questão de trabalhar com elementos locais como forma de divulgar a cultura local e dar personalidade para os interiores. “Por isso também brinquei com as bonecas do Jequitinhonha, por exemplo, que são de barro também. Criei um elemento dividindo os ambientes e inseri essas bonecas no décor – acho elas maravilhosas, uma das coisas mais potentes da nossa arte popular. As mulheres do Jequitinhonha fazem isso só com barro, não tem tinta.” Dialogando com as bonecas, uma parede revestida de ladrilhos hidráulicos, também feito artesanalmente e carregando os mesmos tons, “para buscar essa integração da cor do barro em todos os elementos”, conta a arquiteta.
Outros recursos que chamam atenção são a adega de madeira retroiluminada, com padrão espinha de peixe, e duas luminárias: uma delas, instalada sobre o balcão do bar, traz impresso um desenho que reproduz o padrão da palhinha vienense, enquanto a outra, que pende sobre uma das mesas, foi criada pelo artista plástico Helder Profeta com cestos garimpados no mercado central.

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