Pedacinho de Veneza no pescoço…

Que ideia inspirada teve a designer Merel Karhof… ela fotografou as águas de Veneza durante mais de um mês (sempre no mesmo lugar, na mesma hora do dia e usando as mesmas configurações na câmera) e transformou as fotos em uma paleta de cores liiiinda demais, dá uma olhada:

Thirty days Acquamarine_mntg

Olhando mais de perto dá pra ver que ela usa fragmentos das próprias fotos na composição de uma textura bacanérrima para o lenço. Uma legenda dos dias em que cada trecho foi fotografado também foi impressa no tecido.

02Thirty days Acquamarine_web

O mais incrível, na minha opinião, é o fato da designer ter enxergado essa possibilidade apesar da água, em si, não ter nenhum atrativo especial quando vista de perto, pois é normalmente turva e em alguns dias ainda havia bastante sujeira (como dá pra ver na foto abaixo).

dias mont_web

Designer dos bons, pra mim, enxerga possibilidades também em situações aparentemente desfavoráveis (ou sem atrativo) e as transforma de maneira positiva, como fez Karhof. Aposto que grande parte das leitoras do DDB gostariam, assim como eu, de carregar esse pedacinho de Veneza no pescoço. Acertei?

Via Mocoloco e Merel Karhof

4 comentários “Pedacinho de Veneza no pescoço…

  1. Winnie, eu já tinha visto esse trabalho um dia destes e também achei ótimo. Esse é o tipo de exemplo que é dificil definir com exatidão, e tranquilidade (ainda bem!) se é um projeto, se é um trabalho artístico, se é uma pesquisa criativa e high tech para moda, etc.
    E não importa que seja assim, que a gente não consiga catalogar e rotular definitivamente se é design, moda, arte, fotografia, etc.
    Entretanto, e sempre pode ter um entretanto, quando um aluno me pergunta o que é design, eu ainda respondo: é resultado de projeto, é necessidade de solucionar algum problema ou é aspiração de criar algo útil.
    O designer sabe que é designer, mesmo se sentindo tão feliz como um artista quando obtem um resultado que cause deslumbramento.
    Beijo,
    Renata Rubim

  2. Obrigada pelo comentário, Renata!
    Me identifiquei bastante com o que vc escreveu e acho que, nesse caso específico, o trabalho dela tem uma forte componente artística, poesia mesmo. Mas também penso, como você, que nos dias de hoje é impossível a gente tentar rotular um trabalho desses, já que as fronteiras entre as diversas áreas são cada vez mais esfumaçadas… que bom! 😉

  3. Esses italianos… tem design na alma! Estudei – embora não exerça – artes gráficas em Florença. E esse trabalho me lembrou de um dos exercícios que nosso fantástico professor de ilustração passava: através da mistura de cores complementares e diluindo-as depois, montar uma paleta de cinzas coloridos. A idéia era achar a cor onde a gente pensava que ela não existisse.

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