Design comprometido com o ambiente… será?

Nos últimos anos, começamos a ter a noção de que a água é um bem escasso, e passamos a entender a importância de evitar o desperdício de água. Quem não se irrita, por exemplo, ao ver alguém “varrendo” a calçada com a mangueira? Isso não é mais aceitável nos dias de hoje. Também nos acostumamos a fechar a torneira para escovar os dentes, ensaboar a louça de uma só vez e enxaguar tudo no final, e por aí vai… Mas a economia de água mais difícil talvez seja no chuveiro — provavelmente porque o banho não é apenas um procedimento higiênico, mas também um momento de prazer e bem-estar.

Foi pensando nessa questão que o designer Paul Priestman e sua equipe criaram a Waterpebble, cujo nome e forma remetem a um seixo rolado — associação imediata com a água corrente, princípio que rege o funcionamento deste pequeno gadget, criado para ajudar as pessoas a reduzirem o consumo de água durante o banho.

Funciona assim: basta colocar a “pedrinha” no piso do box (ou da banheira, se for o caso), e o mecanismo é acionado automaticamente pelo contato com a água. Na primeira vez em que for usada, a Waterpebble irá medir e memorizar a quantidade de água que passa por ela em direção ao ralo, de forma a estimular a redução do consumo nos banhos futuros. Os LEDs embutidos piscam ao longo do banho, variando do verde ao vermelho, para avisar quando é hora de parar. Assim, a cada dia, a Waterpebble vai reduzindo um pouquinho o tempo ideal, gradualmente educando o usuário a utilizar menos água na sua chuveirada diária.

Não parece ótimo? À primeira vista eu também achei. Mas à medida em que fui me informando mais sobre o produto e pensando um pouco sobre ele, foram me surgindo algumas questões…
A primeira delas diz respeito à própria questão ambiental. As pilhas da Waterpebble não podem ser substituídas, e o gadget tem duração estimada de seis meses com “uso normal” (um banho por dia, imagino). Ainda que o site do produto indique formas apropriadas de descarte, não me parece suficiente, pois é preciso gastar mais material e energia para se produzir novos objetos que seriam comprados periodicamente.

Além disso, como a “pedrinha” funciona baseada na análise do primeiro banho, seria preciso comprar uma para cada membro da família, afinal, as necessidades e a duração do banho variam muito conforme a idade e o sexo da pessoa.

Outra coisa: durante o banho, o usuário precisa ficar de olho na “pedrinha”, pois qualquer descuido pode custar um tombo (reparem que no vídeo acima a pessoa tem que ficar desviando do gadget com frequência).
É por isso que, apesar da boa intenção do designer, fico em dúvida sobre a real validade desse produto. Será mesmo que não somos capazes de nos educar para um comportamento mais ecofriendly sem o uso de uma babá eletrônica? O que vocês acham?

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